No início deste mês, a Associação Portuguesa de Enfermeiros reagiu à ausência de qualquer Enfermeiro na constituição do Grupo Técnico para Estudo Prévio sobre a Reforma Hospitalar, nomeado por S. Exa o Ministro da Saúde Paulo Macedo.
Nessa altura, a APE emitiu um comunicado dirigido a S. Exa Ministro da Saúde, com conhecimento a S. Exa Sr. Primeiro Ministro Dr. Passos Coellho.
Damos a conhecer hoje a todos os Enfermeiros a natureza desse comunicado, tornando-o público no nosso site e no Facebook:
Exmo Senhor
A Associação Portuguesa de Enfermeiros vem por este meio manifestar a sua estranheza relativa ao facto de, no Grupo Técnico acima identificado, não constar qualquer Enfermeiro.
A Associação Portuguesa de Enfermeiros entende e defende a necessidade de gerir recursos e encontrar formas de poupar no Serviço Nacional de Saúde.
São aliás os Enfermeiros um dos grupos profissionais que mais defende esta melhor gestão de recursos, sendo também aquele que, pelo seu número e áreas de actuação e intervenção no actual SNS, não pode ser posto à margem de qualquer estudo ou projecto que vise mudanças de fundo no sector. Por um motivo muito simples: sem a adesão dos enfermeiros, qualquer alteração estrutural não terá o apoio necessário no terreno para o seu sucesso.
Tendo em conta o que acima referimos e os objectivos que sustentam a criação deste Grupo Técnico, a APE só pode julgar a ausência de um Enfermeiro neste Grupo como um lamentável lapso por parte do Exmo Sr Ministro da Saúde. Aliás, o apelo à multidisciplinaridade e união de esforços que têm sido um dos compromissos deste Governo não se coadunam com a exclusão dos Enfermeiros deste Grupo Técnico.
Acreditamos que o Exmo Sr Ministro da Saúde tenha vindo a inteirar-se do âmbito e do campo de intervenção de cada profissão na área da saúde. Por isso, acreditamos que V. Exa terá certamente apercebido que:
• São os Enfermeiros o único grupo profissional que está 24h junto do utente;
• Os Enfermeiros têm, desde sempre, competências de gestão adquiridas na sua formação;
• Os Enfermeiros integram órgãos de gestão dentro das unidades de saúde;
• Têm um conhecimento da realidade do SNS e da sua evolução desde há muitos anos;
• Muitos dos enfermeiros trabalham transversalmente na área do préhospitalar, seja pelo INEM seja pelos Bombeiros, o que lhes dá uma visão mais abrangente das necessidades da população;
• São os enfermeiros um dos grupos profissionais que mais defende a poupança de recursos e materais, mantendo a qualidade de cuidados e a segurança do utente do Serviço Nacional de Saúde.
A Associação Portuguesa de Enfermeiros está convicta de que pretenderá este Ministério demonstrar um interesse verdadeiramente genuíno em unir os esforços de todos para a rentabilização do Serviço Nacional de Saúde,
apagando alguns erros do passado, como seja o facto de alguns sectores da sociedade funcionarem como grupos de pressão, criando obstáculos para a optimização do Serviço Nacional de Saúde.
A manter-se o afastamento dos Enfermeiros dos processos de estudo e decisão será, mais do que um facto incompreensível, um erro estratégico deste Ministério da Saúde.
A Associação Portuguesa de Enfermeiros mostra a V. Exa a sua total disponibilidade para colaborar com este Ministério na procura de soluções por forma a salvaguardar o Serviço Nacional de Saúde, com eficiência e qualidade.
Com os melhores cumprimentos
João Fernandes
(Presidente da Direcção)